
Há viagens em que chegar ao destino é apenas parte da experiência. No Cruce Andino, que liga Puerto Varas, no Chile, a Bariloche, na Argentina, o caminho ganha protagonismo. Em aproximadamente 12 horas, o passageiro cruza a Cordilheira dos Andes alternando barcos e ônibus, atravessando três lagos e passando por áreas protegidas de um dos cenários mais marcantes da Patagônia.
A travessia percorre os lagos Todos los Santos, Frías e Nahuel Huapi, conectados por quatro trechos terrestres. O roteiro pode ser feito nos dois sentidos e, segundo a operadora, o percurso entre os países tem cerca de 180 quilômetros. As condições climáticas e a operação do dia podem provocar alterações nos horários.
A experiência começa em Puerto Varas ou Bariloche e vai mudando de cenário à medida que a viagem avança. No lado chileno, o percurso passa por Petrohué e Peulla, enquanto, já na Argentina, segue por Puerto Frías, Puerto Blest e Puerto Pañuelo antes da chegada a Bariloche.
Uma fronteira atravessada entre lagos e montanhas
Partindo de Puerto Varas, o primeiro trecho terrestre segue até Petrohué, às margens do lago Llanquihue. É ali que a paisagem começa a mudar de escala, com a presença dos vulcões Osorno e Calbuco.
A partir de Petrohué, a travessia embarca no lago Todos los Santos em direção a Peulla. Em condições favoráveis, o trajeto permite observar o Osorno, o Puntiagudo e o Cerro Tronador. O percurso passa pelo Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, uma das áreas naturais mais importantes do sul do Chile.
De Peulla, um novo trecho terrestre atravessa a Cordilheira dos Andes em direção a Puerto Frías, onde são realizados os procedimentos relacionados à entrada na Argentina. Depois, a viagem volta à água no lago Frías, em uma navegação de aproximadamente 20 minutos até Puerto Alegre.
O percurso segue então por terra até Puerto Blest. Dali parte a última navegação, pelo lago Nahuel Huapi, em direção a Puerto Pañuelo. O trecho final é feito de ônibus até Bariloche.
É essa sucessão de mudanças que diferencia o Cruce Andino de uma simples ligação entre duas cidades. Em poucas horas, o viajante passa por diferentes ambientes, altitudes e perspectivas da Cordilheira, sem precisar escolher entre uma viagem de barco ou uma travessia terrestre.
Dois parques nacionais no caminho
A rota também aproxima o visitante de dois grandes territórios protegidos da região: o Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, no Chile, e o Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina.
A paisagem, no entanto, não é estática. Dependendo do clima e da época do ano, o cenário pode aparecer dominado por neve, bosques, montanhas, lagos e vulcões. No verão, as atividades ao ar livre ganham espaço. No inverno, a neve transforma boa parte da paisagem e reforça a atmosfera típica da Patagônia.
Por isso, embora o Cruce Andino possa ser realizado em um único dia, a própria estrutura do roteiro permite uma viagem mais demorada.
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Quando 12 horas não são suficientes
Para quem não quer transformar a travessia em uma corrida contra o relógio, existem opções com pernoite em Peulla, no Chile, ou Puerto Blest, na Argentina.
A alternativa permite dividir o percurso e reservar mais tempo para caminhadas, gastronomia e contemplação. No roteiro com hospedagem em Puerto Blest, por exemplo, a programação inclui tempo livre e possibilidade de caminhada até a Cascada Los Cántaros, antes da continuação da viagem rumo a Bariloche.
Também existem versões de dois dias ou mais, além da modalidade Bike & Boat. Nessa proposta, parte do percurso terrestre é feita de bicicleta. Em uma das opções divulgadas pela operadora, são 121 quilômetros pedalados ao longo de dois dias, combinados às navegações pelos lagos.
Uma viagem que conecta dois destinos da Patagônia
Puerto Varas e Bariloche já seriam, isoladamente, destinos capazes de ocupar vários dias de um roteiro pela Patagônia. Puerto Varas combina a paisagem dos lagos do sul chileno com a presença dos vulcões e a influência da colonização alemã. Bariloche, por sua vez, tem uma relação histórica com as montanhas, os esportes de inverno, a gastronomia e o lago Nahuel Huapi.
O Cruce Andino cria uma terceira possibilidade: conhecer os dois destinos e fazer da ligação entre eles uma experiência turística.
Para quem monta um roteiro combinando Chile e Argentina, essa característica pode ser justamente o principal atrativo. Em vez de simplesmente trocar de país, o viajante dedica um dia inteiro à própria travessia dos Andes.
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Quanto custa o Cruce Andino
De acordo com o tarifário oficial vigente para a temporada de 1º de abril de 2026 a 31 de março de 2028, a tarifa para adultos de outras nacionalidades, categoria que inclui brasileiros, parte de US$ 355 por pessoa no trecho de ida. A tarifa de ida e volta aparece no site oficial a partir de US$ 533.
Os valores podem variar conforme o tipo de roteiro escolhido. Hospedagem, alimentação e alguns custos adicionais não necessariamente estão incluídos na tarifa básica.
A operadora recomenda confirmar os horários e condições da viagem antes da saída, já que a programação pode sofrer alterações por questões climáticas, logísticas ou sazonais.
Serviço
Cruce Andino Puerto Varas e Bariloche
Percurso: Puerto Varas, Chile Bariloche, Argentina, ou no sentido inverso
Duração: aproximadamente 12 horas em cada trecho
Distância: cerca de 180 quilômetros
Lagos: Todos los Santos, Frías e Nahuel Huapi
Trechos terrestres: quatro
Parques nacionais: Vicente Pérez Rosales, no Chile, e Nahuel Huapi, na Argentina
Opções: viagem de um dia, roteiros com pernoite, ida e volta e modalidade Bike & Boat
Tarifa de referência: a partir de US$ 355 por adulto não residente no Chile ou na Argentina, somente ida, conforme tarifário oficial da temporada 20262028.
Atenção: horários, embarcações e etapas do percurso estão sujeitos às condições climáticas e operacionais. A documentação exigida para a travessia internacional deve ser conferida antes da viagem.
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