
Igrejas, castelos, palácios e museus são pontos turísticos clássicos em qualquer roteiro, mas quem gosta de ler e escrever deveria incluir também bibliotecas. Cada grande cidade terá sua biblioteca, ou mais de uma, e elas podem ser espaços funcionais sem grande atratividade turística ou se tornar uma das protagonistas de sua viagem.
Em Paris, a Richelieu é uma das bibliotecas que já ganhou espaço em guias de viagem, especialmente pela sua Sala Oval (Salle Ovale). Berço histórico da Biblioteca Nacional da França e de suas coleções excepcionais, foi construída no século XVII, originalmente como palácio do Cardeal Mazarin. Em 1721, a Biblioteca do Rei foi transferida para lá. Em setembro de 2022, reabriu suas portas definitivamente após doze anos de reformas e modernização. O complexo conta com uma biblioteca de pesquisa, museu, espaço para exposições temporárias e a célebre Sala Oval.
Já em Amsterdam estávamos encantados com a cidade ao mesmo tempo frenética e organizada, encantadora para o turista, mas acima de tudo funcional para quem vive nela quando pensamos: se o trânsito aqui é assim, a estação de metrô aqui é assim, o parque aqui é assim, como será a biblioteca? Em uma rápida pesquisa, descobrimos a OBA Oosterdok, uma moderníssima biblioteca nas margens do Rio Amstel.
As duas bibliotecas apontam caminhos distintos para essa instituição: uma mais clássica, quase um museu, cumprindo brilhantemente o papel de preservação, do uso à arquitetura. A outra, moderna, muito mais um espaço de convivência, estudo e conhecimento do que um local para leitura e consulta de livros.
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Cada uma no seu estilo, elas nos mostram que bibliotecas conseguiram atravessar o vendaval digital e permanecem relevantes, se reinventando, muitas aproveitando o frenesi do turismo para diversificar usos e receitas. Aqui em Porto Alegre mesmo há uma lindíssima biblioteca em um prédio histórico localizado em pleno Centro, próxima ao Palácio do Governo, ao Theatro São Pedro, à Catedral e à Assembleia. Completamente restaurada nos últimos anos, encanta quem gosta de história, arquitetura, decoração, arte e, claro, livros.
Então, antes de aprofundar um pouco nas duas bibliotecas acima mencionadas, fica a dica: coloque bibliotecas em seu roteiro.
OBA Oosterdok, em Amsterdam
A Stichting Openbare Bibliotheek Amsterdam (OBA) tem trinta filiais espalhadas pela região metropolitana, e a sede é a OBA Oosterdok. Ela foi inaugurada em 7 de julho de 2007, em uma área de revitalização urbana próxima à estação central de Amsterdam, ocupando um edifício moderno com cerca de 28 mil metros quadrados distribuídos em 10 andares.
Moderníssima, é mais do que um espaço para livros, é um espaço para o estudo, o pensamento. Já no térreo e mezanino temos acesso a muitas mesas com Internet, café, jornais e revistas. Nos outros sete andares, muitos livros em variados idiomas, do árabe ao português, mas ainda mais espaços de leitura, muitos para grupos. Nos andares mais altos, restaurante, salas de reunião, teatro, banheiros, café e uma bela vista da cidade.
Externamente, o prédio parece um bloco sóbrio de pedra e vidro, mas o interior é amplo, aberto e cheio de áreas de convivência, escadas monumentais e vistas panorâmicas da cidade. A varanda do restaurante no último andar ainda oferece uma vista ampla de Amsterdã.
A biblioteca fica na ilha artificial de Oosterdokseiland, do outro lado do rio em relação às atrações mais concorridas, e esta região é interessante e merece uma visita. Além de oferecer uma visão diferenciada para o centro da cidade, há ali o Conservatorium van Amsterdam, o NEMO Science Museum, cafés, restaurantes e a sede mundial do Booking, empresa tech que muitos pensam ser dos Estados Unidos, mas é de Amsterdam.
Richelieu de Paris
Em qualquer lista de bibliotecas mais famosas do mundo estará a Richelieu de Paris, especialmente pela sua Sala Oval (Salle Ovale). O ambiente tem formato elíptico, medindo aproximadamente 43,7 metros de comprimento por 32,8 metros de largura, com cerca de 18 metros de altura. O teto é coroado por uma grande claraboia central de vidro, cercada por detalhes dourados em folhas de acanto e por dezesseis janelas circulares (“olhos de boi”), que inundam o espaço com luz natural. De fato, faz jus à fama de uma das bibliotecas mais bonitas do mundo e ainda é muito instagramável, as fotos ficam ótimas.
Além do espetáculo arquitetônico, a sala oferece mais de 20 mil volumes em livre acesso, cerca de 160 lugares para leitura e estudo, uma coleção com aproximadamente 11 mil histórias em quadrinhos e romances gráficos, bastante popular entre famílias e jovens leitores, e recursos digitais e exposições que apresentam as coleções especiais da biblioteca.
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Diferentemente da OBA, a entrada para o salão principal é gratuita, mas o acesso ao museu do piso superior é cobrado. Na parte do museu há uma impressionante seleção de manuscritos, moedas, medalhas, antiguidades, mapas, globos terrestres, fotografias, objetos de arte e tesouros bibliográficos que ajudam a contar a história da França e da própria Biblioteca Nacional. Se você está com orçamento apertado, não é imperdível; a parte do térreo é suficiente.
A Rua Richelieu, onde fica a biblioteca, é uma região típica do centro parisiense, com prédios dos séculos XVII, XVIII e XIX, ruas estreitas com fachadas de pedra e varandas de ferro, cafés, livrarias e pequenas galerias comerciais. Apesar de movimentado, não tem a aglomeração dos principais pontos turísticos, então vale reservar um tempo para flanar também neste pedacinho de Paris, como nos ensina Baudelaire.
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