
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi sabatinado nesta quinta-feira (27/8) pela TV Globo. Logo no início da entrevista, os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli concentraram parte das perguntas nas investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e suspeitas de tráfico de influência no governo federal.
Ao responder aos questionamentos sobre o filho e a lobista Roberta Luchsinger, Lula buscou afastar do Palácio do Planalto a responsabilidade de determinar se houve ou não irregularidades e afirmou que caberá às autoridades responsáveis pelas investigações e ao Judiciário esclarecer os fatos.
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“Eu não sou do Ministério Público, eu não sou delegado, eu não sou juiz, eu sou presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro que comete ilícito”, afirmou.
O petista também relembrou as investigações das quais foi alvo no âmbito da Operação Lava Jato e voltou a criticar a forma como as acusações contra ele foram apresentadas à opinião pública. “Eu já estive nessa situação”, disse.
Deflagrada em 2014, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff (PT), a Lava Jato posteriormente alcançou Lula, que chegou a ser preso em 2018. As condenações do petista foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, após a Corte concluir que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos.
Questionado sobre mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Roberta Luchsinger, nas quais a lobista teria afirmado que Fábio “só entra em campo quando precisa” e se apresentado como parte de um mesmo núcleo de atuação com o filho do presidente, Lula reiterou que não pretende interferir nas apurações.
“Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal. Eu não vou fazer qualquer movimento para que meu filho seja acobertado se ele tiver erro, como outros já fizeram”, disse.
As mensagens integram uma investigação que apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e pessoas próximas a ele. Relatórios da PF apontam o filho do presidente como possível “beneficiário indireto” de articulações conduzidas por terceiros junto a empresários com interesses no governo. Até o momento, porém, não há indicação de que negócios discutidos pelo grupo tenham efetivamente resultado em contratos com o poder público.
Durante a sabatina, Lula também saiu em defesa do senador e ex-líder do governo Jaques Wagner (PT-BA), citado em investigação da Polícia Federal relacionada ao caso Banco Master. O presidente afirmou confiar na honestidade do aliado, mas defendeu que eventuais responsabilidades sejam estabelecidas a partir das apurações conduzidas pelas autoridades competentes.
Para Lula, o governo não deve tomar decisões políticas com base em suspeitas ou informações ainda não comprovadas. “Não posso fazer política vivendo de ilações todo santo dia”, afirmou.

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