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Indefinição sobre Redata ameaça investimentos bilionários, afirma especialista

Setor de data centers cobra definição sobre incentivos fiscais e alerta para risco de empresas direcionarem projetos a outros países

Marcos Borin, fundador e CEO da CTC Infra -  (crédito: Divulgação)
Marcos Borin, fundador e CEO da CTC Infra - (crédito: Divulgação)

A demora na definição do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) pode fazer o Brasil perder espaço na disputa global por investimentos em infraestrutura digital. A avaliação é de Marcos Borin, fundador e CEO da CTC Infra, construtora especializada em empreendimentos de alta complexidade e missão crítica.

No Senado, o projeto já tem relator definido: o senador Cid Gomes (PSB-CE), irmão do candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB-CE). A expectativa agora gira em torno do avanço da proposta na Casa, em meio à pressão do setor por maior previsibilidade para a tomada de decisões de investimento.

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Em entrevista ao Correio, Borin alerta que a indefinição pode levar empresas a adiar projetos ou direcionar recursos inicialmente previstos para o Brasil a outros mercados.

O tamanho da oportunidade ajuda a dimensionar o risco. Segundo Borin, o Ministério da Fazenda trabalha com um potencial de até R$ 2 trilhões em investimentos privados ao longo de dez anos associado ao desenvolvimento da indústria de data centers. Já projetos que somam 7,1 GW representam cerca de R$ 159 bilhões em aportes previstos nos próximos anos, conforme dados do Ministério de Minas e Energia citados pelo especialista.

Borin pondera, porém, que uma eventual não aprovação do regime não significaria a perda automática desses valores. O principal risco, segundo ele, é que parte dos projetos seja postergada ou transferida para países que ofereçam condições mais competitivas.

"A indefinição pode levar uma empresa a postergar a decisão, reduzir o tamanho inicial do empreendimento ou direcionar uma nova fase de expansão para outro país. Isso não significa necessariamente desistir do Brasil. O problema é que o Brasil pode passar de primeira para segunda ou terceira opção na fila global de investimentos", afirma.

O Redata busca melhorar as condições tributárias para a instalação e ampliação de data centers no país, especialmente sobre equipamentos e tecnologia. Esse componente pesa na decisão das empresas porque a construção civil corresponde a apenas uma parcela do custo total dos empreendimentos. Servidores, GPUs, sistemas de armazenamento, redes, refrigeração e equipamentos elétricos concentram uma fatia relevante dos aportes.

De acordo com Borin, estimativa da Brasscom aponta que o custo de processamento de dados no Brasil fica entre 20% e 30% acima da média internacional. O país, por outro lado, reúne vantagens como mercado consumidor, disponibilidade territorial, conectividade e uma matriz elétrica predominantemente renovável. O problema é que esses diferenciais podem perder força caso a instalação e a renovação da capacidade computacional sejam significativamente mais caras do que nos concorrentes.

A preocupação aumenta diante da corrida mundial por infraestrutura destinada à inteligência artificial e à computação em nuvem. Dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) mencionados pelo executivo indicam que os data centers lideraram os investimentos globais anunciados em 2025, superando US$ 270 bilhões.

"Esse capital está decidindo agora onde será instalado", ressalta Borin. Para ele, o risco vai além de deixar de receber empreendimentos isolados. A perda pode atingir todo o ecossistema formado ao redor dessas estruturas, como fornecedores especializados, profissionais qualificados, redes elétricas e de telecomunicações, serviços de nuvem, aplicações de inteligência artificial e centros de pesquisa.

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AH
postado em 27/08/2026 14:12 / atualizado em 27/08/2026 14:27
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