
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência realizada nesta terça-feira (7/7), nos Estados Unidos, sobre as medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump e as investigações envolvendo o Pix, reforçou a percepção de que sua atuação tem caráter político-eleitoral.
Segundo integrantes do Executivo, o discurso do parlamentar concentrou-se em críticas ao governo brasileiro e na exploração política do tema, em detrimento da defesa dos interesses nacionais. A avaliação é de que a atuação busca fortalecer sua estratégia para a disputa eleitoral de 2026. A equipe de Flávio Bolsonaro informou que o senador defendeu a suspensão das tarifas e permanecerá nos Estados Unidos até que haja uma definição sobre o assunto.
A participação do senador provocou críticas de integrantes do governo e de parlamentares da base aliada. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que Flávio pratica uma "diplomacia clandestina" voltada a interesses eleitorais.
"Mais um episódio vergonhoso da diplomacia clandestina de Flávio Bolsonaro: o senador foi ao Congresso dos EUA pedir para adiarem as tarifas e o ataque ao Pix para depois das eleições. Não foi defender o Brasil, foi defender seus interesses eleitorais. É a versão Tariflavio à prestação!", escreveu o ministro no X.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também atribuiu motivação eleitoral à atuação do senador durante a audiência promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington.
"Ele não foi defender o Brasil, mas apenas tentar apagar as próprias digitais. No passado, comemorou o tarifaço contra o país e agradeceu a Trump. Agora só pede adiamento: diz que 'agora' é o pior momento. Depois da eleição, pelo visto, o Brasil que se vire", publicou o parlamentar nas redes sociais.
Lindbergh ainda afirmou que o documento apresentado por Flávio ao USTR utiliza a defesa do Pix para promover uma agenda de mercado e acusou o senador de omitir sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
"E ainda teve a coragem de falar em corrupção, Master e Vorcaro, omitindo sua relação direta com o banqueiro, os R$ 61 milhões do Dark Horse e o elo da financiadora do filme com empresa apontada por lavar dinheiro para o PCC, uma organização classificada recentemente pelos EUA como terrorista. Lacaio de Trump e do crime organizado!", escreveu.

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