
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado aprovou nesta terça-feira (31/3) a quebra de sigilo bancário e fiscal do empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso na Papudinha. O pedido foi feito pelo senador Humberto Costa (PT-PE).
"A medida integra o esforço desta CPI de dar respostas firmes à sociedade diante de indícios consistentes de utilização do sistema financeiro para práticas ilícitas, no que se refere à lavagem de dinheiro e à possível atuação de organizações criminosas. Nesse contexto, Fabiano Zettel, empresário cuja vinculação familiar com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e cujas conexões financeiras vêm sendo objeto de apuração no âmbito da Operação Carbono Oculto, impõe a necessidade de aprofundamento investigativo", justificou o senador em seu requerimento.
Além de Zettel, a CPI aprovou as convocações do ex-governadores Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Cláudio Castro (PL-RJ), além do pedido de envio de informações pelo Banco Central acerca da transferência de controle societário da corretora Máxima ao grupo de Daniel Vorcaro.
"O procedimento de autorização da transferência de controle societário passou a ser permeado por diversas dúvidas sobre sua lisura e licitude. Sabe-se que a aquisição do banco se deu com base no superfaturamento de um imóvel. O Banco Central havia exigido que Vorcaro fizesse um aporte de cerca de R$ 50 milhões e, para tanto, Vorcaro simulou a venda de um terreno, avaliado em R$ 2,5 milhões no ano de 2015, quando foi regularizado, por R$ 57 milhões ao Fundo Imobiliário São Domingos. O fundo, por sua vez, tinha entre seus ativos a Maxima Realty, de sociedade entre o grupo Multipar, da família do próprio Vorcaro, e o próprio Banco Máxima", justificou o autor do requerimento, líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE).
De acordo com as investigações, o terreno vendido teve uma valorização de 2.180% em dois anos. Para o senador, a forma em que Vorcaro atuou é igual ao que fez no banco Master. "À época da autorização, passou a receber recursos indevidos de Fabiano Zettel apenas dois meses após o ato autorizativo do Banco Central. O contexto, portanto, revela dúvida razoável quanto aos pagamentos ilícitos terem se originados de eventual corrupção no próprio ato de autorização de transferência de controle", argumentou.

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