ARTIGO

Cooperativas: juntos, os pequenos se tornam gigantes

Associações e cooperativas são instrumentos de solidariedade, gestão democrática e desenvolvimento territorial. Projetos desenvolvidos pela FAO nos territórios brasileiros são prova disso

Cooperativa no Maranhão reúne quebradeiras de coco babaçu produtoras de artesanato e alimentos -  (crédito: Divulgação/FAO)
Cooperativa no Maranhão reúne quebradeiras de coco babaçu produtoras de artesanato e alimentos - (crédito: Divulgação/FAO)

Jorge Meza — representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil

Para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o associativismo e o cooperativismo são pilares para erradicar a fome, reduzir desigualdades e construir sistemas agroalimentares mais sustentáveis, inclusivos e resilientes. Foi por reconhecer o papel essencial das cooperativas na economia global e no desenvolvimento sustentável que a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu, em 2012, o Dia Internacional das Cooperativas, comemorado no primeiro sábado de julho de cada ano.

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Na agricultura familiar, cooperar significa ampliar o poder de negociação, acessar mercados, tecnologias, crédito e políticas públicas. Significa também fortalecer a governança local, o trabalho decente e a capacidade das comunidades de decidir sobre seu próprio desenvolvimento. As cooperativas agroalimentares são aliadas estratégicas no enfrentamento da fome e da má nutrição, especialmente na América Latina e no Caribe. 

Nos projetos desenvolvidos pela FAO nos territórios brasileiros, uma das frentes de atuação é sensibilizar comunidades sobre a importância da ação coletiva e apoiar processos de capacitação para a criação, estruturação e formalização de associações e cooperativas. Os resultados desse trabalho podem ser observados em diferentes regiões do país.

No município de Rosário, no Maranhão, a organização produtiva de mulheres quilombolas tem aberto caminhos para a autonomia econômica e o fortalecimento da cidadania. A formalização da Cooperativa de Trabalho Sabor e Arte Quilombola, que reúne quebradeiras de coco babaçu produtoras de artesanato e alimentos, ampliou sua capacidade de acessar projetos, firmar contratos e alcançar novos mercados. A iniciativa foi fortalecida pelo Projeto de Regularização Ambiental por meio da Governança Fundiária e do Ordenamento Territorial como Pilar para o Desenvolvimento Sustentável, executado pelo Governo do Maranhão, por intermédio do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma), com apoio técnico da FAO.

Por meio desse projeto, a comunidade avançou na regularização fundiária em nome das mulheres. O reconhecimento formal da posse da terra — ocupada há gerações por seu povo — abriu portas para políticas públicas capazes de melhorar as condições de vida da população local, incluindo acesso à água, apoio à produção e fortalecimento da participação feminina nas atividades econômicas. Em março deste ano, a comunidade alcançou mais uma conquista com a inauguração de uma agroindústria de beneficiamento do babaçu.

À frente dessa trajetória está Rosa Gaspar, presidente da cooperativa e uma das principais lideranças da comunidade. Sua história representa a de milhares de mulheres que transformam conhecimentos tradicionais, cultura e trabalho em renda, identidade e perspectivas de futuro. Promover a participação das mulheres nas cooperativas é uma das prioridades da FAO, por seu potencial de impulsionar o empoderamento econômico, a inclusão social e a igualdade de gênero.

Outro exemplo vem da Bahia, com a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), que participou do Projeto Revertendo o Processo de Desertificação nas Áreas Suscetíveis do Brasil: Práticas Agroflorestais Sustentáveis e Conservação da Biodiversidade (Redeser), iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com a FAO, implementada pela Fundação Araripe. 

Reconhecida pelo trabalho com produtos da sociobiodiversidade da Caatinga, especialmente derivados de umbu e de outras frutas nativas, a cooperativa agrega valor à produção da agricultura familiar do semiárido e gera renda para as comunidades locais. Sua participação no projeto contribuiu para fortalecer modelos produtivos sustentáveis baseados no uso responsável dos recursos da biodiversidade, demonstrando que é possível conciliar conservação ambiental, geração de renda e desenvolvimento territorial.

Associações e cooperativas não são apenas formas jurídicas: são instrumentos de solidariedade, gestão democrática e desenvolvimento territorial. 

 

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Por Opinião
postado em 06/07/2026 05:00
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