
Não faltam episódios que condenam o mundo a um estado de bestialidade. A estupidez, a ignorância e a violência caminham juntas em qualquer lugar do planeta, legando a nós, gente de bem, um sentimento terrível de que estamos cercados de ódio e perigo. O cãozinho Orelha, morto com requintes de crueldade por uma turba de adolescentes bem nascidos, motivou revolta e mobilização nacional. O menino de 16 anos violentamente agredido por um lutador com histórico de agressões, depois de uma discussão motivada por um chiclete, permanece em coma e a família segue em vigília e dor, clamando por justiça.
Poderia citar muitos casos mundo afora nos quais fica evidente o desprezo pela vida e a decisão de que a violência deve prosperar diante de qualquer incômodo. É fácil matar, agredir, emular, humilhar, declarar guerras, ultrapassar limites morais, cívicos e humanos. O que se tornou profundamente difícil é encontrar soluções e rotas para trilhar o caminho inverso: acreditar, respeitar, proteger, acolher, salvar, amar o próximo. Sim, tem muita gente de bem, disposta a lutar por justiça, igualdade e fraternidade. Mas toda vez que ocorre um caso em que enxergamos a desumanidade em estado bruto, é inevitável pensar que chegamos a um ponto de não retorno.
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Tem solução? Um ser humano pode ser restaurado, resetado, reanimado, como se fosse uma máquina passando por atualizações de segurança? Só vejo uma forma disso acontecer. Com trabalho em rede, educação com limites, propósito e firmeza desde a infância, com senso de comunidade e atenção à saúde mental. Esse combo não é pouca coisa e não custa caro, mas leva tempo. Por isso, precisamos de mais mobilização para debater com profundidade e partir para a ação.
Mesmo com uma semana de noticiário quente, aqui no Correio Braziliense nós paramos. Mas para refletir. Paramos para reunir mulheres incríveis no primeiro CB Debate do ano, Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos, para discutir soluções de combate e prevenção à violência contra a mulher. Paramos também para falar de acolhimento à população LGBTQIA no Dia Nacional da Visibilidade Trans. Paramos para discutir saúde mental no evento Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil. Paramos porque entendemos que só despejar notícia ruim não leva a um lugar de transformação.
Coletivamente, o que precisamos fazer é trabalhar para mudar leis ou mesmo para cumpri-las em sua integralidade; é denunciar, exigir justiça, entender que a vida bestial de redes sociais é só cenário bobo e que devemos aproveitar o potencial da internet para construir pontes e caminhos, porque há muito conteúdo bom e formador de caráter circulando na rede. Há saberes de todo o tipo e pessoas incríveis distribuindo letramento gratuito, mas só para quem quer encontrar.
Individualmente, devemos fazer o nosso melhor, resgatar os bons valores, estar próximos de pessoas que agregam e buscar a sanidade mental a qualquer custo. Eu escrevi esse artigo e corri para o Lago Paranoá, para a canoa havaiana, que tem sido refúgio e aprendizado. Não faço isso para me alienar dos problemas e de todas essas dores, mas entender que meu corpo e minha mente devem estar protegidos para enfrentar tudo o que ainda vem por aí. Não será um ano fácil, como janeiro já mostrou. E você, quais são suas estratégias?
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