RIGOR OU PUNIÇÃO?

Peru proíbe cabelo longo em meninos e maquiagem em meninas em escolas

Proposta da presidente Keiko Fujimori prevê retorno de notas de conduta e expulsão para casos graves; população terá 15 dias para enviar sugestões

Keiko Fujimori anunciou restrições para 6,7 milhões de alunos da rede pública peruana -  (crédito: Reprodução/X/Keiko Fujimori)
Keiko Fujimori anunciou restrições para 6,7 milhões de alunos da rede pública peruana - (crédito: Reprodução/X/Keiko Fujimori)

A presidente do Peru, Keiko Fujimori, começou a colocar em prática nas escolas públicas uma política de disciplina mais rígida, uma das bandeiras defendidas durante a campanha eleitoral. Entre as mudanças anunciadas nesta segunda-feira (12/10) estão restrições à aparência dos estudantes, a retomada das avaliações de comportamento e a possibilidade de expulsão em casos considerados graves.

As novas regras devem atingir cerca de 6,7 milhões de alunos da rede pública, o equivalente a 72% dos estudantes da educação básica peruana. Já os 2,6 milhões matriculados em instituições privadas continuarão sujeitos às normas definidas por cada escola.

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Durante uma cerimônia em um colégio de Chaclacayo, a cerca de 30 quilômetros de Lima, Keiko disse que os meninos deverão frequentar as aulas com os cabelos curtos. O governo também pretende impedir o uso de maquiagem, unhas pintadas e celulares dentro das escolas.

"Os garotos devem vir de cabelo curto. É totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem", afirmou durante um ato oficial em um colédio de Chaclacayo, a cerca dd 30km de Lima.

As medidas ainda não estão oficialmente regulamentadas. O Ministério da Educação abriu um período de 15 dias para receber contribuições da sociedade antes da definição das normas que serão aplicadas nas unidades de ensino. Acesse a resolução. 

Conduta volta a ser avaliada

Outra mudança prevista é o retorno das chamadas "notas de conduta", extintas em 2019. A avaliação deverá considerar aspectos como pontualidade e comportamento dos estudantes.

Keiko também defendeu que as escolas voltem a afastar alunos responsáveis por infrações consideradas graves.

"Os mais malcriados não estarão nas salas de aula", disse a presidente.

Segundo o ministro da Educação, José Antonio Chang, a lista de situações que poderão levar à expulsão deve incluir desde agressões físicas até o uso inadequado de celulares. Os estudantes afastados definitivamente da escola regular, porém, não deixariam de estudar. A proposta prevê que eles passem a frequentar uma modalidade híbrida, combinando atividades virtuais com acompanhamento presencial.

Ao apresentar as mudanças, Keiko reconheceu que as medidas podem ser vistas como duras, mas argumentou que elas terão impacto na formação dos estudantes.

"Sei que pode parecer bastante rigoroso, mas acreditem, isso será importante para toda a vida", afirmou Keiko no ato. Em seguida, resumiu o objetivo do novo modelo: "Todos esses critérios estabelecerão disciplina", continuou, enfatizando cada sílaba da última palavra.

Críticas às novas regras

O anúncio provocou reação de opositores, principalmente por concentrar as restrições na rede pública e associar aspectos da aparência dos estudantes ao comportamento dentro das escolas.

A senadora Ruth Luque, de esquerda e adversária política de Keiko, questionou os critérios apresentados pelo governo.

"Agora a educação é medida pelo comprimento do cabelo, pela maquiagem ou pelas unhas pintadas?", afirmou, por exemplo, a senadora Ruth Luque, de esquerda e opositora de Keiko.

Luque também defendeu que o governo priorize investimentos na estrutura e na qualidade da educação pública. Para ela, a autoridade dos professores não depende da imposição de padrões de aparência.

"A autoridade docente é indispensável, mas não se constrói confundindo a aparência pessoal com a conduta, nem impondo estereótipos sobre como meninos e meninas devem se apresentar", afirmou.

Semelhanças com medidas adotadas em El Salvador

A proposta peruana se aproxima de regras implementadas em El Salvador durante o governo de Nayib Bukele. Desde agosto do ano passado, diretores de escolas públicas salvadorenhas são responsáveis por verificar, na entrada das unidades, se os estudantes usam uniforme considerado adequado e mantêm um "corte de cabelo apropriado". Penteados como moicanos estão entre os proibidos, e o descumprimento das determinações pode gerar punições aos gestores.

Na época em que as medidas foram anunciadas, Bukele defendeu uma transformação profunda na educação do país.

"Para construir o El Salvador com o qual sonhamos, está claro que devemos transformar completamente o nosso sistema educacional", afirmou o presidente na ocasião ao compartilhar no X o anúncio de sua ministra da Educação, uma médica e major das Forças Armadas do país.

A aproximação entre os dois governos não se limita à educação. Keiko tem uma visita a Bukele prevista para o fim de outubro. Durante a campanha presidencial peruana, o salvadorenho foi citado como referência para políticas de segurança pública, em um momento em que o Peru enfrenta crescimento das extorsões e aumento da taxa de homicídios.

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postado em 14/10/2026 09:40
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