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Os 11 de Ancelotti: titulares no limite e reservas sem espaço

Levantamento do Correio mostra que Carlo Ancelotti levou a dupla de zaga à exaustão e perdeu a confiança em Luiz Henrique. Titular antes da Copa, o ponta teve menos tempo em campo do que Neymar

Dos 26 chamados, três disputaram todas as partidas do início ao fim: Alisson, Marquinhos e Gabriel Magalhães -  (crédito: Justin Setterfield/Getty Images via AFP)
Dos 26 chamados, três disputaram todas as partidas do início ao fim: Alisson, Marquinhos e Gabriel Magalhães - (crédito: Justin Setterfield/Getty Images via AFP)

Nova Jersey — Cinquenta dias depois da badalada convocação no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, a lista dos 26 jogadores escolhidos por Carlo Ancelotti expõe como o italiano distribuiu — ou concentrou — a carga de minutos na campanha do Brasil na Copa do Mundo. O levantamento do Correio mostra que o italiano montou um time, mas nunca confiou plenamente nos nomes do elenco da segunda pior campanha do país em 23 participações.

A Seleção jogou 520 minutos contra Marrocos, Haiti, Escócia, Japão e Noruega, incluindo acréscimos. Dos 26 chamados, três disputaram todas as partidas do início ao fim: Alisson, Marquinhos e Gabriel Magalhães. A manutenção do goleiro é natural. A exaustão da dupla de zaga, não. Carlo Ancelotti confiava apenas nos finalistas da Champions League: o capitão, campeão pelo Paris Saint-Germain, e o parceiro dele, vice com a camisa do Arsenal. Mesmo desgastados depois de entregar até a última gota de suor na temporada dos clubes, não foram substituídos. Os dois reservas, Bremer e Léo Pereira, não entraram em campo, uma sinalização de que Carlo Ancelotti só os acionaria em caso de emergência — lesão ou excesso de cartões.

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Gabriel Magalhães, por exemplo, trouxe aos EUA o trauma do pênalti perdido na final da Champions League contra o PSG. O beque foi poupado no amistoso contra o Egito. Depois, não houve descanso. Contra a Noruega, travou duelo à parte com Haaland — e perdeu.

O Correio apurou que a primeira convivência mais longa com os jogadores fez com que Carlo Ancelotti perdesse a confiança em alguns escolhidos. Quando recebeu o elenco na Granja Comary, em Teresópolis, na Região Serra do Rio, o treinador completava um ano no cargo. Conhecia parte dos jogadores de observá-los da tribuna de honra dos estádios, no Brasil, no exterior e pela tevê, mas não do convívio diário, como se acostumou na vitoriosa carreira construída em clubes como Milan, Real Madrid, Chelsea, Bayern de Munique e PSG.

Isso ajuda a explicar a concentração de minutos em oito jogadores: Alisson, Gabriel Magalhães e Marquinhos, com 520 minutos; Douglas Santos (505); Vinicius Junior (505); Danilo (471); Bruno Guimarães (458) e Casemiro (420) acumularam mais de 400 minutos em ação (Veja a lista completa no quadro ao lado).

Na segunda linha, Rayan e Matheus Cunha superaram a barreira dos 300 minutos. O garoto de 19 anos, sim, surpreendeu Carlo Ancelotti. Primeiro jogador nessa idade a iniciar uma partida de Copa como titular desde Tostão (1966) e Marco Antônio (1970), Rayan recebeu elogios depois da partida contra a Escócia, em Miami, pela fase de grupos.

"Jovem traz entusiasmo, energia diferente de veterano, que traz experiência, conhecimento. Uma equipe é uma combinação dessas coisas. Um jovem como Rayan, que tem a personalidade para jogar com 19 anos uma Copa do Mundo, com camisa do Brasil, é algo muito, muito importante. Significa personalidade, caráter e seriedade", respondeu Carlo Ancelotti à pergunta do Correio na última rodada da primeira fase.

Menos do que Neymar!

O desempenho de Rayan no trabalho de blindagem ao lateral-direito Danilo virou um dos pontos do debate sobre a derrota do Brasil para a Noruega, no domingo. O setor ficou desprotegido depois da saída do garoto, e Endrick não manteve a pegada depois da entrada de Neymar no papel de falso 9.

Luiz Henrique foi convocado como primeira opção para a ponta-direita. Iniciou o amistoso contra o Panamá, no Maracanã, perdeu a posição para Lucas Paquetá contra o Egito e começou a Copa no banco contra Marrocos. Entrou durante a partida no lugar de Igor Thiago e não voltou mais. A lesão de Raphinha parecia abrir espaço para o atacante, mas Luiz Henrique terminou a Copa com apenas 38 minutos em campo, menos do que Neymar (55), cuja convocação foi cercada por dúvidas sobre sua condição física.

"A eliminação dói. Faz parte de quem sonha grande. Mas, também, faz parte do esporte levantar-se, aprender e seguir em frente", escreveu Luiz Henrique nas redes sociais depois da eliminação.

O setor direito foi o mais reinventado em 17 jogos com Ancelotti. Antes da Copa, o técnico perdeu Estêvão, Rodrygo, Vanderson, Éder Militão e Wesley. Durante o torneio, ficou sem Raphinha.

Outros três jogadores perderam espaço. O centroavante brasiliense Igor Thiago começou a Copa como titular. Jogou 65 minutos e não voltou mais. Róger Ibañez era o lateral-direito na estreia contra Marrocos. Não entrou em campo depois daquele 13 de junho. Alex Sandro era o homem de confiança de Carlo Ancelotti para a lateral esquerda. No fim, teve oportunidade durante 15 minutos, o menos acionado entre os que pisaram no gramado.

A distribuição da minutagem ajuda a explicar parte da eliminação. Ancelotti encontrou um time, mas jamais consolidou um elenco. Quando surgiram lesões, queda física e necessidade de alternativas diante da Noruega, o treinador recorreu sempre aos mesmos jogadores — justamente os que chegaram mais desgastados ao momento decisivo da Copa.

 


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MP
postado em 08/07/2026 04:01
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