
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu de 2,4% para 2,2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026. Para 2027, a estimativa caiu de 2,2% para 1,9%, segundo o relatório Perspectiva Econômica Mundial, divulgado nesta terça-feira (13/10). O Fundo atribui a revisão à manutenção de condições monetárias restritivas, à retirada do estímulo fiscal e às incertezas no cenário internacional.
Apesar do corte, a previsão do FMI para a economia brasileira neste ano supera ligeiramente a estimativa do Ministério da Fazenda, que espera expansão de 2%, segundo o Boletim Macrofiscal. Na semana passada, o Banco Mundial elevou sua projeção para o Brasil em 2026, de 1,9% para 2,1%, mas reduziu a expectativa para 2027, de 2% para 1,7%.
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China também tem revisão
Na China, o FMI revisou a previsão de crescimento de 4,6% para 4,5% em 2026 e de 4,1% para 4% em 2027. Para a economia mundial, a estimativa de expansão neste ano subiu de 3% para 3,1%, enquanto a projeção para 2027 permaneceu em 3,4%.
Entre as principais economias, a previsão de crescimento dos Estados Unidos foi mantida em 2,3%. Já a estimativa para a Índia avançou de 6,4% para 7%. Para a Arábia Saudita, o relatório aponta retração de 3,3%, em um contexto de dificuldades enfrentadas por países exportadores de petróleo diante das disrupções provocadas pela guerra no Irã.
Choques globais e IA
A revisão das estimativas ocorre em um cenário internacional marcado por conflitos, mudanças nas relações comerciais e transformações tecnológicas. No relatório anterior, divulgado três meses antes, o FMI havia reduzido a projeção de crescimento mundial diante dos riscos associados à guerra no Oriente Médio, à fragmentação do comércio e a possíveis correções nas expectativas do mercado sobre os ganhos proporcionados pela inteligência artificial. Na ocasião, o Fundo havia elevado as previsões para o Brasil.
O documento destaca que, em menos de sete anos, a economia mundial enfrentou uma sequência excepcional de choques, incluindo a pandemia de Covid-19 e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, que provocaram fortes aumentos nos preços do petróleo e de outras commodities.
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"Mudanças significativas nas barreiras comerciais e nas relações de comércio colocaram à prova a resiliência das famílias, das empresas, dos mercados financeiros e dos governos. Isoladamente, cada um desses grandes acontecimentos teria sido considerado improvável", diz o relatório.
Apesar das turbulências, o Fundo avalia que a atividade econômica mundial demonstrou resiliência. Os mercados de trabalho permaneceram robustos, os sistemas financeiros resistiram ao aperto monetário mais intenso em quase meio século e a inflação recuou em relação aos picos registrados em diversas economias.
Outro fator de sustentação foi o avanço dos investimentos em inteligência artificial, que impulsionou a atividade econômica e contribuiu para manter o comércio internacional aquecido. Os efeitos dessa expansão, no entanto, variam entre os países.
Segundo o FMI, a exposição aos choques de energia e o grau de integração às cadeias tecnológicas ajudam a determinar os resultados para cada economia. Países importadores de energia e com menor participação no setor de tecnologia tendem a enfrentar condições mais adversas. Já exportadores de commodities e economias conectadas à indústria tecnológica podem obter benefícios.
O Fundo alerta para riscos em duas frentes. A continuidade da guerra pode provocar uma nova rodada de pressão inflacionária, especialmente em países de baixa renda e dependentes da importação de energia. Ao mesmo tempo, uma revisão das expectativas de lucros e de ganhos de produtividade relacionados à inteligência artificial pode reduzir investimentos e tornar as condições financeiras mais restritivas.
"O cenário fragmentado deixa a economia global vulnerável a reveses em duas frentes. Uma guerra prolongada pode reacender a inflação e atingir sobretudo países importadores de energia e de baixa renda. Já uma revisão das expectativas de lucros e ganhos de produtividade associados à inteligência artificial pode enfraquecer os investimentos e apertar as condições financeiras", afirma o FMI.
Dívida pública preocupa
O relatório também chama a atenção para a trajetória do endividamento público e para a redução dos estoques de energia, que pode ampliar a vulnerabilidade das economias a choques de preços. O aumento da dívida em diversos países preocupa em um momento de custos de financiamento mais elevados e de pressão sobre as contas governamentais.
"A combinação de custos de financiamento mais altos com níveis elevados de endividamento expõe uma vulnerabilidade. São necessárias medidas firmes e deliberadas para recompor essas margens e fortalecer a capacidade de resistir a choques futuros — sejam eles novos ou recorrentes", afirma o documento.
No Brasil, a dívida bruta do governo geral, calculada pela metodologia do FMI e incorporada pelo Banco Central à divulgação de suas estatísticas, recuou de 95,4% do PIB em julho para 94,5% em agosto.
O Fundo já havia alertado, em abril, para os efeitos das incertezas comerciais sobre as economias mais atingidas pela guerra tarifária iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na avaliação da instituição, os riscos externos se somam ao aumento do endividamento e à deterioração das condições fiscais em diferentes países.
Diante desse cenário, o FMI recomenda que os governos afetados preservem a sustentabilidade das contas públicas e reduzam a dívida. Para as economias avançadas, o Fundo defende reformas nos sistemas de previdência e saúde para enfrentar os custos associados ao envelhecimento da população. Nos países emergentes e em desenvolvimento, considera prioritário aprimorar os sistemas tributários.





