A retomada do diálogo ocorre depois de uma conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Rosa, o contato entre os dois chefes de Estado foi decisivo para reabrir a mesa de negociação sem que o Brasil precisasse fazer concessões unilaterais antecipadas.
Acordo com a Índia
O memorando firmado entre a ApexBrasil e a Confederação das Indústrias Indianas estabelece uma estrutura de cooperação para ampliar as relações comerciais e de investimentos. O documento prevê troca de informações sobre os mercados dos dois países, compartilhamento de boas práticas, promoção de feiras e estímulo à internacionalização de pequenas e médias empresas.
O acordo não tem caráter vinculante e, portanto, não cria obrigações para as partes. A proposta é aproximar empresas brasileiras e indianas, facilitar novos negócios e criar uma base institucional para projetos conjuntos de atração de investimentos e facilitação comercial.
Para Rosa, a ampliação da presença brasileira em diferentes mercados passou a ser uma diretriz do governo. “O governo do presidente Lula definiu claramente como uma diretriz obrigatória a diversificação de mercado. O Brasil vem buscando diversificar mercados, acessando novos mercados intensamente. A Índia é um exemplo disso. A necessidade de alcançar novos mercados e a necessidade de expandir a relação comercial. Com a Índia, o crescimento é espetacular”, afirmou.
Segundo o ministro, a relação comercial entre Brasil e Índia cresceu 82% nos últimos anos. A intenção agora é ampliar ainda mais as oportunidades, inclusive por meio da expansão do atual acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul e a Índia, que atualmente contempla 450 linhas de produtos.
Setores estratégicos
Entre os setores considerados estratégicos para a aproximação estão a indústria farmacêutica, a bioenergia, os biocombustíveis, os fertilizantes e os dispositivos médicos.
A agenda bilateral também inclui a possibilidade de parcerias para a exploração de minerais críticos. O governo brasileiro, segundo Rosa, pretende ampliar esse tipo de cooperação com diferentes países, mas com a condição de que os projetos contribuam para o desenvolvimento de tecnologia nacional.“O Brasil quer ter parceria para a exploração de minerais críticos com todos os países, nunca em detrimento de algum ou para favorecer outro”, ressaltou Rosa.