
Com prazo até 15 de julho para tentar evitar o aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as negociações com autoridades norte-americanas e o diálogo com o setor produtivo. A estratégia é concentrar esforços nas tratativas diplomáticas e evitar ampliar o embate político em torno do tema.
Nesta terça-feira (7/7), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, evitou comentar a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington.
Ao ser questionado se a atuação do parlamentar poderia prejudicar as negociações conduzidas pelo governo brasileiro, o ministro afirmou que o momento exige foco nas conversas em andamento.
"Eu prefiro não falar absolutamente nada. Eu prefiro falar, absolutamente, apenas aquilo que, de fato, está ocorrendo, que é essa representação importante para a negociação", afirmou. "Nós devemos focar agora, o prazo é curto, nós devemos focar naquilo que pode dar resultado positivo para o Brasil", acrescentou.
O USTR recomendou, em relatório preliminar divulgado em 1º de junho, a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos importados do Brasil, com exceção de grande parte dos itens agropecuários. A audiência realizada nesta semana integra a etapa final da investigação comercial conduzida pelo governo dos Estados Unidos antes da decisão definitiva sobre a adoção das medidas.
Perguntado sobre a menção feita por Flávio Bolsonaro ao Banco Master durante a audiência, Márcio Elias disse não ter conhecimento do conteúdo da manifestação e voltou a destacar a importância da mobilização de representantes do setor produtivo brasileiro. "Essas participações de brasileiros comprometidos com a questão econômica do Brasil é que têm, de fato, real valia", declarou.
O ministro reiterou ainda que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o Brasil na mesa de negociações até a conclusão do processo. "Que nada nos retira desse campo de multilateralismo e do campo democrático. Com muito respeito ao que outros reivindicam, mas sem jamais substanciar os interesses do Brasil. É isso que o presidente Lula nos pede todo dia", afirmou.
(Com informações de Agência Estado)

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