
A taxa juros cobrada no cartão de crédito rotativo chegou a 435,9% ao ano em fevereiro, de acordo com relatório divulgado, ontem, pelo Banco Central. Houve avanço de 11,4 pontos percentuais em relação a janeiro.
Segundo o documento, o endividamento das famílias com o sistema financeiro permaneceu em 49,7%, repetindo o patamar registrado em dezembro de 2025.
Em conversa com jornalistas, ontem, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu um estudo ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda para tentar reduzir os juros dos cartões de crédito.
"O presidente pediu para estudar. Ele disse: 'Como é que pode um juro que é uma Selic por mês no crédito rotativo? Isso não tem justificativa'. Se o juro do cheque especial já está tabelado, por que você não pode ter referência ali? Tem um projeto que foi aprovado que diz que você não pode pagar mais do que 100% da dívida em juros, mas isso ainda não foi operacionalizado", questionou Gleisi.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também comentou o assunto. Em palestra em São Paulo, disse que a dívida do cartão de crédito é um grave problema estrutural do sistema financeiro, porque boa parte da população trata o rotativo do cartão de crédito como se fosse uma fatia da renda disponível. Galípolo explicou que, em um contexto de aperto da política monetária, o encarecimento do crédito afeta diretamente o custo para tomar recursos e atua como um mecanismo que "gera restrições do ponto de vista do endividamento".
Contudo, ele observou que a forma como as famílias brasileiras enxergam as próprias finanças não é uniforme: "Muitas pessoas não se consideram endividadas se não houver atraso, mesmo quando têm financiamentos e parcelas em dia", afirmou.
Consignado
Outro dado que chama a atenção no relatório do Banco Central é a elevação da taxa de juros no crédico consignado para trabalhadores do setor privado, que chegou a 59,4% ao ano em fevereiro, atingindo recorde da série histórica, iniciada em março de 2011.
A elevação ocorreu após o lançamento do programa Crédito do Trabalhador, em março do ano passado, por causa do aumento do risco associado ao programa.
O relatório do Banco Central informou, ainda, que as concessões nessa modalidade de empréstimo sofreram uma queda de 22,5% em fevereiro em relação a janeiro, passando de R$ 9,216 bilhões para R$ 7,146 bilhões. Apesar dessa retração nas concessões, o saldo total da modalidade apresentou um crescimento de 5,9% em fevereiro, alcançando R$ 92,506 bilhões.
Crédito imobiliário
No segmento de crédito imobiliário para pessoas físicas, o estoque de operações direcionadas cresceu 0,8% em fevereiro, na comparação com janeiro, alcançando R$ 1,326 trilhão. Em 12 meses, a expansão foi de 11,6%.
O crédito livre destinado à compra de veículos por pessoas físicas também avançou. O saldo subiu 1,3% em fevereiro, totalizando R$ 408,482 bilhões. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 16,2%.
Já o comprometimento da renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional registrou leve aumento, saindo de 29,2% para 29,3% no período. Sem considerar o crédito habitacional, a taxa avançou de 26,9% para 27,1%.
severamente a saúde financeira das famílias. Segundo o professor, o cartão de crédito "pode ser um grande amigo ou um grande inimigo". Ele é um aliado quando o consumidor compra para pagar em 40 dias, mas se torna um problema grave quando ocorre o atraso ou o pagamento do valor mínimo, empurrando o cliente para o crédito rotativo.
Bergo alerta para um problema comportamental no país, segundo ele, "existe uma cultura que as pessoas colocam isso como se fosse salário. Por quê? Porque vira uma bola de neve, ela compra no cartão de crédito, não consegue fazer o pagamento, então paga o mínimo e continua comprando no cartão de crédito até o limite". A falta de planejamento e a compra por impulso levam o consumidor a solicitar o aumento de limites e a acumular múltiplos cartões, culminando na negativação do nome.
Somado a isso, o professor da UnB destaca um novo fator de risco, as apostas esportivas e jogos online. "Nós estamos vendo também uma outra problemática aí, abrindo um parênteses com relação às bets, temos observado muito endividamento por jogos. Isso é um absurdo, mas é a realidade", concluiu.
(Com agências de notícias)
Estagiário sob a supervisão de Edla Lula

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