
A Ubisoft inaugura o primeiro remake da sua mais famosa saga com um dos títulos mais amados pelos fãs. Assassin 's Creed Black Flag Resynced traz de volta o pirata Edward Kenway em novos gráficos repaginados e com uma jogabilidade moderna, sendo um prato cheio para quem ainda não conhece a aventura.
Lançado originalmente em 2013, foi o primeiro da saga a ser cross-gen, saindo no PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One, PC e Wii U. O título também foi um dos primeiros da Ubisoft a receber uma dublagem em português do Brasil, apesar de a época ser duramente criticada por não ter tamanha qualidade que as vozes brasileiras podiam oferecer.
Uma caveira e ossos cruzados
Black Flag traz Edward Kenway, um ex-marinheiro que se converteu a pirataria para viver uma vida confortável. Um dia, um membro traidor da Ordem Secreta dos Assassinos cruza o caminho do pirata, ambos sofrem um naufrágio e sobrevivem, buscando algum dinheiro Kenway vence o patife numa luta e descobre uma negociação de informações em que o assassino estava envolvido. Vendo a oportunidade bater à porta para fazer dinheiro, Kenway se passa por um assassino e daí para frente vai se meter sem querer em conflito muito maior, escondido debaixo dos panos.
Resynced optou por fazer um dos cortes mais pedidos pelos fãs, que é remover os trechos fora do “mundinho”, Black Flag inclusive vinha depois do terceiro jogo sem um protagonista do lado de fora da esfera de época. Tanto que eram trechos longos e totalmente descentralizados da trama principal, que eram vistos em primeira pessoa, com o jogador controlando um alguém aleatório andando de elevador e pelos corredores do Animus.
Sendo assim, Black Flag Resynced traz um ambiente familiar com uma jogabilidade modernizada e rodando melhor do que a versão anterior. Uma das principais mudanças dentro do jogo foi uma atualização nos modelos, animações nas cinemáticas e a mais importante, uma mudança de cores mais vivas na paleta. É interessante ver essa nova estética dentro da jogabilidade original de Assassin 's Creed, depois de ver a saga migrar para um novo estilo com o RPG, retornar com as mecânicas originais traz uma bem-vinda nostalgia.
Contudo, eles adicionaram algumas habilidades, no mesmo estilo de Odyssey e Valhalla, dois chutes e um disparo, que recarregam com o tempo e modificam o estilo de luta. O combate é simples, com um golpe normal, um forte segurando o botão de ataque, um botão para esquiva e outro para defesa. O jogador tem disponível também duas armas para utilizar como ataques a distância.
Capitão no leme
Fora enfrentar inimigos na terra firma, Black Flag nasceu de uma mecânica presente em Assassin 's Creed III, onde um nível trazia uma batalha de navios. Assim, a ideia de explorar, tanto a movimentação na água com um barco, quanto o combate, trouxe esse destaque para o título e a jogabilidade foi convertida exatamente igual para o remake.
O barco pode se movimentar em até duas velocidades, possui canhões nas duas laterais que são as principais armas no combate marítimo, que utiliza uma mira em ângulo, exigindo um cálculo Angry Birds para acertar a embarcação inimiga no momento certo. Ainda existem os barris que podem ser arremessados nas águas para atingir aqueles que seguem o barco por trás, além também da investida com o navio pirata para dar dano direto no casco.
Mas a parte mais pirata da mecânica reside no pós-combate contra os inimigos, um momento em que os barcos ficam destruídos e Edward junto com sua tripulação podem invadir a embarcação em chamas para lutar contra os remanescentes. Uma barra surge da “resistência” dos adversários e a cada nova derrota, ela vai diminuindo até os inimigos finalmente se renderem. Assim, Kenway pilha o navio para conseguir recursos e dinheiro.
Recursos no jogo servem para melhorar o navio, a resistência com o casco de madeira, o dano com os canhões, entre muitas outras opções. O dinheiro serve para abastecer os itens de Kenway, como balas ou remédio para curar a vida, mas também possui a função de comprar os cosméticos do jogo, novos uniformes para o assassino, ou velas customizadas para o barco, por exemplo.
Nada pessoal
Um problema que tenho com Black Flag foi meu primeiro contato com o jogo. A Ubisoft teve uma estratégia em 2014 para finalizar a saga dos assassinos na sétima geração de consoles e transportá-lá para “nova geração” da época, o PlayStation 4 e o Xbox One. Consistia em um jogo que seria lançado para o PS3 e Xbox 360, Assassin 's Creed Rogue, que contaria a história anterior ao jogo de nova geração, Assassin' s Creed Unity. Além disso, Rogue traria pela primeira vez um Templário - Os inimigos declarados dos assassinos - como personagem principal. O título foi fortemente criticado por reutilizar muito conteúdo vindo de Assassin 's Creed Black Flag, batalhas de barco, modelos, missões especiais. Todo esse clamor em cima de um jogo lançamento em 2014, fez Rogue ficar mais barato e acessível.
Eu tinha comprado um PS3 para jogar GTA V, no fim de 2013. Nunca tinha jogado nenhum jogo da série, um amigo que me inseriu no título da Ubisoft com Assassin’s Creed II, trazendo o fantástico Ezio Auditore como protagonista em uma Itália renascentista. Me instiguei pela jogabilidade da saga e logo joguei o III, com Connor na Revolução Americana, mas como Black Flag ainda era um título muito recente, raramente haviam promoções com o jogo, e as que havia não era lá muito alto em desconto. Aí entra Rogue, com as críticas, o título recebeu um desconto gigantesco e foi meu primeiro contato com as mecânicas de Black Flag dentro dessa “cópia”.
Anos depois, já no PlayStation 4, joguei o Black Flag original. Achei a história fantástica, mas ainda não tinha me encantado da mesma forma como Rogue conseguiu. Sem contar, que a dublagem de Black Flag era infinitamente inferior a de Rogue, já que o protagonista era o lendário Alexandre Moreno, voz do Adam Sandler e do Mark Ruffalo no Brasil, não só ele, mas Isaac Bardavid, a voz do Wolverine e do Esqueleto dos desenhos, Ronaldo Júlio, a voz de Idris Elba e Omar Sy e muitos outros profissionais absurdos estavam no elenco título.
Nessa nova versão, Black Flag ganhou uma merecida nova dublagem com vozes novas no elenco e o retorno de Acácio de Oliveira como Edward Kenway. Não só isso, mas a gigante francesa manteve o português arcaico na fala dos personagens, seguindo a linha do título.
Considerações finais
Black Flag Resynced abre uma nova janela para a Ubisoft — às vezes perigosa — dos remakes. O título de piratas foi bem transportado para um novo ambiente, se beneficiando do aprendizado dos jogos anteriores e o motor gráfico de ponta de Assassin 's Creed Shadows, as novas missões são interessantes e podem motivar os fãs de Kenway a comprar o jogo. Resynced é uma excelente porta de entrada para alguém que ainda não tenha tido contato com a saga , com o mar à disposição para o jogador navegar na história da pirataria.
Nota: 8/10
Agora que as portas da nostalgia estão abertas, porque não trazer os remakes dos jogos mais amados da saga? Trazendo Ezio Auditore da Firenze de volta para toda uma legião nova de fãs, quem sabe não é Ubisoft?
Assassin's Creed Black Flag Resynced chega em 9 de julho para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.
*Está análise foi feita com uma cópia enviada pela Ubisoft Brasil para PlayStation 5
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