
Os casos de violência contra pessoas idosas cresceram no Brasil, acendendo um alerta nas autoridades. Embora agressões físicas sejam mais visíveis, a violência psicológica, financeira, patrimonial e a negligência são as violações de direitos mais recorrentes, muitas vezes ocorrendo dentro do ambiente familiar.
Um levantamento da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou mais de 65 mil denúncias de violência contra idosos nos primeiros meses de 2025. O número representa um aumento de 38% em comparação com o ano anterior.
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Vulnerabilidade e perpetuação da violência
Para a advogada Vanessa Bispo, especialista em Direito de Família e Sucessões, a legislação brasileira possui instrumentos de proteção, mas enfrenta desafios na fiscalização, na conscientização da sociedade e na dificuldade das vítimas em denunciar os próprios familiares.
“As penas de violências praticadas contra um idoso podem variar de 2 a 5 anos, sendo que se o agressor for um familiar, a pena poderá até mesmo ser agravada com a perda de direitos, como pensão ou herança”, afirma a especialista. Ela aponta que a maioria das ocorrências acontece na própria família, o que dificulta a identificação e a denúncia.
“O grande desafio na vida familiar é, sem dúvida, o medo da vítima em denunciar, a dependência financeira e emocional do idoso e até mesmo a dificuldade do idoso em reconhecer a própria violência”, completa.
Como identificar a violência financeira
Entre as modalidades de violência que mais crescem estão a financeira e a patrimonial. Em muitos casos, familiares controlam aposentadorias, movimentam contas bancárias, usam procurações de forma abusiva ou se apropriam de bens da vítima.
Vanessa Bispo explica que existem sinais que merecem atenção:
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Mudanças inexplicáveis em contas;
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Desaparecimento de bens ou documentos;
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Pressão para alterações legais.
Familiares, amigos, vizinhos e instituições financeiras têm um papel fundamental na identificação dessas situações, pois muitas vítimas têm receio de relatar os abusos. “No caso de suspeita de qualquer uma dessas violências é importante denunciar no Disque Idoso, procurar um advogado ou um promotor de justiça para que sejam tomadas as imediatas medidas necessárias, como por exemplo o afastamento do agressor e eventual curatela”, ressalta a advogada.
Apesar do Estatuto do Idoso ser um marco na proteção dessa população, o país ainda precisa evoluir na aplicação da lei. “Embora haja legislação vigente de proteção ao idoso, entendo que a fiscalização poderia ser mais eficaz, não existem políticas públicas suficientes de apoio e há necessidade de uma maior conscientização, na sociedade, acerca dos direitos dos idosos”, enfatiza Vanessa Bispo.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
