
O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, percorreu mais de 2 mil quilômetros de ônibus entre Imperatriz, no Maranhão, e Belo Horizonte. Ele realizou o trajeto para encontrar uma mulher conhecida na internet, com a expectativa de dividirem uma vida em comum. Ao chegar à capital mineira, o passageiro descobriu que a pretendente não existe e foi gerada por inteligência artificial.
O contato começou quando vídeos da personagem surgiram nas redes sociais de Edimar, que está afastado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O perfil se apresenta como Jéssica Oliveira e Jessica Fazendeira, acumulando mais de 300 mil seguidores e anúncios de plataformas de vendas. As publicações mostram voz e aparência humanas realistas, com relatos de uma mulher divorciada que busca um homem para viver em uma fazenda.
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Edimar trocou mensagens privadas com a conta e viajou sem saber o endereço exato do destino. Ele declarou que não desconfiou de golpe porque a mulher nunca pediu valores financeiros durante as conversas. O perfil prometia custear a passagem de Edimar e recebê-lo. Em publicações abertas, a personagem gravava mensagens dizendo que desejava ajudar e encontrar um parceiro.
Buscas nas ruas e acolhimento
A viagem de ônibus começou em uma sexta-feira e terminou no domingo (11). Na capital mineira, o homem mostrou fotos a populares na rua e buscou ajuda em uma rádio local. Ao perceber que ninguém conhecia a imagem apresentada, ele concluiu que o perfil era falso e relatou ter se sentido enganado.
Diante do ocorrido, Edimar procurou atendimento na Unidade de Acolhimento e Atendimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte. A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) forneceu alimentação, banho e esclarecimentos sobre fraudes em redes sociais.
Após avaliação da equipe técnica, o órgão municipal concedeu uma passagem de volta para Augustinópolis, no Tocantins, cidade natal onde o pedreiro desejava ficar. A viagem de retorno aconteceu na tarde de terça-feira (13). Antes de embarcar, o tocantinense lamentou o episódio. "Isso aí é uma coisa que não era nem para existir. Era para uma lei botar em cima disso aí, que todo mundo é enganado. Qualquer um cai", afirmou Edimar.
Nota da Prefeitura de Belo Horizonte
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informa que o homem, natural de Araguatins, no Tocantins, procurou a Unidade de Acolhimento e Atendimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte na manhã dessa terça-feira (13). Durante o atendimento, a equipe técnica realizou a escuta das demandas apresentadas, com o objetivo de compreender o contexto da migração e construir, em conjunto com o cidadão, alternativas para atender às suas necessidades.
Segundo relato do próprio cidadão, o deslocamento até Belo Horizonte foi motivado pelo contato com um perfil em uma rede social, supostamente pertencente a uma mulher. Ao chegar à capital mineira, no último domingo (11), ele não conseguiu localizar a pessoa com quem havia mantido contato e foi orientado a procurar a unidade municipal. Na unidade, recebeu orientações sobre os riscos de golpes praticados por meio das redes sociais e teve acesso aos serviços de acolhimento, incluindo banho e alimentação.
Após avaliação da equipe técnica, foi emitida uma passagem para o município de Augustinópolis (TO), possibilitando seu retorno à cidade no início da tarde de ontem (13/10).
As pessoas ou famílias podem buscar diretamente a unidade, que fica na Rua Espírito Santo, 594, no Centro. O serviço oferece atendimento imediato, orientação e possibilidade de acolhimento provisório para adultos e famílias, na proteção integral e na prevenção do agravamento da vulnerabilidade social, evitando, por exemplo, que permaneçam em situação de rua.
O jornal também contatou a Polícia Civil, mas ainda não obteve retorno.
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