Copa do Mundo 2026

Brasil, Alemanha e Itália fora das quartas: a nova era da Copa do Mundo

Pela primeira vez em quase 100 anos, as quartas de final começam sem a presença de pelo menos um dos reis de Copas Brasil (5 títulos), Alemanha (4) ou Itália (4), e Copa do Mundo manda um recado: acabou a era das vagas cativas

Foto de perfil do autor(a) Marcos Paulo Lima — Enviado especial
Marcos Paulo Lima — Enviado especial
08/07/2026 15:11 - Atualizado em 08/07/2026 16:50
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Jogadores da Suíça comemoram vaga conquistada contra a Colômbia, após vitória nos pênaltis pelas oitavas de final da Copa do Mundo       -  (crédito:  AFP)
Jogadores da Suíça comemoram vaga conquistada contra a Colômbia, após vitória nos pênaltis pelas oitavas de final da Copa do Mundo - (crédito: AFP)

Nova Jersey — As quartas de final da Copa do Mundo de 2026 começam nesta quinta-feira (9/7) com um recado contundente aos recordistas de título: acabou a era da vaga cativa entre os oito melhores. Pela primeira vez, em quase 100 anos de história do torneio inaugurado em 1930, essa fase não tem pelo menos um dos Reis de Copas entre os classificados: o pentacampeão Brasil e as tetracampeãs Alemanha e Itália. O trio não chega simultaneamente a essa etapa desde 2006.

A corrida pela ida ao MetLife Stadium, em 19 de julho, continua com uma espécie de “Eurocopa” com dois intrusos. A atual campeã Argentina representa a América do Sul e o Marrocos a África contra o sexteto formado por Bélgica, Espanha, França, Inglaterra, Noruega e Suíça. Dos oito integrantes da sala de troféus, quatro disputam as quartas.

O primeiro sinal da decadência dos recordistas foi dado pela Squadra Azzurra. Campeã em 1934, 1938, 1982 e 2006, a Itália caiu na fase de grupos em 2010 na África do Sul e em 2014 no Brasil. Depois dos três fiascos, a potência se viu diante do maior vexame: três ausências consecutivas na Copa do Mundo com eliminações na repescagem contra Suécia, Macedônia do Norte e Bósnia e Herzegovina. A última é a mais constrangedora devido à expansão do número de participantes no torneio de 32 para 48 seleções.

O Brasil teve uma dura lição em casa, mas até hoje não aprendeu com a maior humilhação do esporte: a eliminação por 7 x 1 contra a Alemanha no Mineirão, em Belo Horizonte, numa semifinal de Copa do Mundo. O fundo do poço parecia ter chegado, mas estava reservado para o ciclo encerrado no último domingo com a derrota por 2 x 1 para a Noruega. 

A Seleção recordista de troféus não se despedia nas oitavas de final havia 36 anos, desde o passe de Diego Armando Maradona para Claudio Caniggia decretar o adeus nas oitavas de final da edição disputada na Itália no confronto disputado em Turim.

Depois da eliminação contra a Croácia em 2022, o Brasil acumulou sinais de que passaria vergonha em 2026. Caiu nas quartas de final da Copa América em 2024 nos Estados Unidos. Encerrou as Eliminatórias da América do Sul em quinto lugar. No sistema atual, avançou sem repescagem porque eram sete vagas diretas. No antigo modelo, teria de disputá-la.

O fiasco se consumou na Copa com um empate abaixo da crítica contra Marrocos na estreia, vitórias protocolares contra o Haiti e a Escócia, uma virada sofrida contra o Japão na fase de 16 avos e a sexta eliminação consecutiva contra europeus no duelo com a Noruega nas oitavas de final com míseros 34% de posse de bola. Apontada como solução desde o 7 x 1, a contratação de um técnico importado deu ao Brasil o 11º lugar, a prior classificação na Copa desde o adeus na fase de grupos na versão de 1966.

Fonte de inspiração depois da conquista do tetracampeonato no Maracanã em 2014, a Alemanha também se perdeu. Em 2018, caiu na fase de grupos em um grupo no qual competia com a Suécia, o México e a Coreia do Sul. A história se repetiu quatro anos depois na primeira etapa da competição contra Espanha, Japão e Costa Rica.

O início da campanha na América do Norte deu a falsa impressão de novos tempos na goleada por 7 x 1 contra Curaçao e a virada no duelo com a Costa do Marfim. A derrota para o Equador foi o trailer de mais um filme de terror gravado na fase de 16 avos na eliminação precoce contra o Paraguai na decisão por pênaltis Foxborough Stadium, em Boston.

Por falar nas arenas, as quartas de final de 2026 quebram uma escrita de 32 anos. O palco da finalíssima não receberá jogos das quartas de final pela primeira vez desde 1994, justamente na primeira edição disputada nos EUA. À época, o Rose Bowl, em Pasadena, foi poupado pela Fifa e só voltou à cena nas semifinais.

Em 2026, o MetLife Stadium não tem agenda nas quartas nem na semi. Ao contrário do ano passado, quando abrigou as duas semifinais e a decisão da Copa do Mundo de Clubes da Fifa em série, o palco principal da festa em East Rutherford, sede compartilhada pelas vizinhas Nova Jersey e Nova York, está totalmente blindada para o capítulo final do torneio. Das três países sede do torneio compartilhado por Canadá, EUA e México, apenas o país de Donald Trump receberá os últimos 8 jogos dos 104 da nova Copa do Mundo.