NOITE ÉPICA
Messi convida à fé em mais um milagre argentino na Copa
Canonizado pelo título de 2022, Messi reaparece como líder de uma seleção movida pela crença de que, enquanto ele estiver em campo, o impossível é possível
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Canonizado pelo título de 2022, Messi reaparece como líder de uma seleção movida pela crença de que, enquanto ele estiver em campo, o impossível é possível

Nova Jersey — Lionel Messi convida à fé. Suspenso sobre os companheiros, braços abertos e mãos estendidas, parece mais abençoar uma seleção do que celebrar uma classificação construída em apenas 13 minutos. A Argentina perdia por 2 x 0 para o Egito nas oitavas de final, em Atlanta, até os 34 do segundo tempo, quando o camisa 10 encontrou a cabeça de Cristian Romero para iniciar a reação. Pouco depois, trocou a sutileza pela força e acertou um chute violento, que ainda beijou o travessão antes de morrer nas redes.
No terceiro gol, mostrou a onipresença. Sem precisar tocar na bola, apontou o caminho do ataque, indicou o passe para Lautaro Martínez e viu o cruzamento perfeito encontrar Enzo Fernández para completar a virada. Canonizado pelo título de 2022, Messi não é apenas o capitão. É a autoridade máxima de um povo acostumado a acreditar em milagres.
Esta é a Copa do Mundo de uma Argentina do Velho Testamento. A cada mata-mata, uma provação. Quando o talento não resolve, entram em cena a raça e a fé. Contra o Egito, o roteiro até permitia uma tarde menos dramática. Mas os 120 minutos da classificação sobre Cabo Verde, quatro dias antes, em Miami, deixaram sequelas físicas e emocionais em uma equipe que ainda encarou duas horas de viagem até Atlanta.
A travessia talvez fosse menos sofrida se Messi não tivesse desperdiçado um pênalti aos 20 minutos do primeiro tempo. Foi o segundo erro do camisa 10 nesta Copa e o quarto em cobranças no tempo regulamentar de Mundiais, um recorde pouco associado ao maior ídolo da história argentina. Os tropeços diante de Islândia, Polônia e Áustria agora ganharam a companhia do Egito.
Mas Messi é o próprio futebol. Incorpora o esporte e conduz uma nação. Impossível acreditar que a história terminaria naquele 7 de julho. O homem que igualou Pelé em assistências em Copas do Mundo, com nove, superou Maradona como maior garçom da Argentina no torneio e segue empilhando recordes, jamais seria reduzido a um pênalti desperdiçado.
Contra o Egito, chegou ao 21º gol em Mundiais, ampliando a vantagem como maior artilheiro da história da competição criada em 1930. Aos 39 anos, tornou-se o jogador mais velho a marcar um gol e dar uma assistência em uma partida de mata-mata e alcançou outro feito inédito: passou a ser o único atleta a balançar as redes em seis jogos consecutivos de fases eliminatórias de Copas do Mundo, sequência iniciada nas oitavas de final do Catar, em 2022, contra a Austrália.
A Argentina não perde uma partida em que Lionel Messi balança as redes desde a estreia da campanha do tricampeonato, na derrota por 2 x 1 para a Arábia Saudita, em 2022. De lá para cá, são 22 jogos, com 19 vitórias e três empates — contra Holanda, França e Cabo Verde. Nesta Copa, o camisa 10 também evitou um vexame histórico. Pela primeira vez desde 1934, o continente sul-americano corria o risco de não ter nenhum representante nas quartas de final.
O Brasil tem uma inveja azul e branca. A Seleção de Ancelotti também perdia por 2 x 0 e teve praticamente o mesmo tempo para reagir contra a Noruega. A diferença esteve na resposta. Enquanto a Argentina encontrou forças para transformar desespero em esperança, a Amarelinha se desmanchou. Arrumou confusão no gramado, perdeu a organização, entregou espaços e viu a Noruega ampliar a sensação de impotência.
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